REN Energy Challenge

Como podemos usar o Blockchain para potenciar a rede energética nacional?

Proposto por

RENA REN - Redes Energéticas Nacionais trabalha no desenvolvimento de um sistema energético mais eficiente, seguro e competitivo, que garanta o acesso de energia a todos, com o menor custo possível. A REN tem duas áreas de negócio principais: a eletricidade e o gás natural. Em Portugal, opera as principais infraestruturas de transporte, efetua a gestão global do Sistema Elétrico Nacional e do Sistema Nacional de Gás Natural. Para além disso, detém, também, uma concessão de distribuição de gás natural na região litoral norte de Portugal. Com um forte compromisso com o desenvolvimento sustentável, investe consistentemente na promoção do conhecimento e na investigação e desenvolvimento, aprofundando o relacionamento entre a academia e a indústria, com vista a antecipar soluções para os grandes desafios tecnológicos e ambientais que se colocam a nível nacional e internacional.

 

Descrição

Através da utilização da tecnologia Blockchain e de smart contracts o desafio passa pela criação de uma plataforma para a negociação da compra e venda de energia onde os micro/mini-produtores possam ter uma fonte de rendimento adicional e os consumidores a opção de escolher o fornecedor mais barato.

 

Contextualização

A utilização de energias renováveis tem tido um crescimento elevado nos últimos anos. No entanto, este crescimento tem-se centralizado em centros produtores como parques eólicos, barragens hidroelétricas e, residualmente, em parques com painéis solares.

Com o contínuo decréscimo do custo das tecnologias que suportam as energias renováveis, em particular, os painéis solares, tem-se observado um aumento, por parte daqueles que até agora eram apenas consumidores finais, no investimento de centros de micro/miniprodução. Estes produtores são comumente designados por prosumers [1] visto tanto produzirem como consumirem energia elétrica; o conjunto destes micro/mini centros produtores localizados na mesma região têm a designação de micro-redes (microgrids) [2][3].

Num contexto de contínuo crescimento do número deste tipo de produtores e da necessidade de interligar as microgrids com as, já existentes, macrogrids, quatro desafios se colocam:

- No contexto atual, o mercado energético é centralizado, geograficamente restrito e gerido por um número reduzido de entidades. Para os pequenos produtores será difícil e muito pouco rentável participar neste tipo de mercado;

- A produção local de energia através de micro/miniprodução poderá ser também ela para consumo local, regional, ao nível do país ou mesmo ao nível europeu. Para tal é necessário que existam plataformas que permitam gerir este mercado que, potencialmente, poderá ter milhares de entidades;

- Com a introdução do mercado europeu de energia, estes micro/miniprodutores, terão a possibilidade de vender a sua energia num mercado dinâmico e competitivo, mas que, a nível contratual, poderá ter uma complexidade que poderá ser difícil de gerir;

- A micro/miniprodução permitirá, através de bancos de baterias, o armazenamento de energia e a sua entrega à rede quando esta não for necessária localmente ou quando for financeiramente mais rentável. No entanto, a introdução de milhares de micro/miniprodutores poderá provocar problemas de balanceamento nas infraestruturas elétricas o que implica que a sua gestão deva ser efetuada da forma o mais otimizada possível de modo a não provocar instabilidade nas redes elétricas de distribuição e transporte.

Tendo como pressuposto que o número de micro/miniprodutores irá aumentar consideravelmente nos próximos anos, estes deverão ter a capacidade de negociar a venda da energia que produzem, de uma forma segura, fidedigna, rápida e flexível, com quem por ela mais pagar. Este processo deverá ser o mais transparente para o produtor e consumidor e deverá ser salvaguardado através do estabelecimento de contratos.

Considera-se assim que a utilização da tecnologia Blockchain [5][8] e a utilização de smart-contracts poderão endereçar os desafios atrás apresentados, permitindo criar uma nova plataforma para a negociação da compra e venda de energia onde os micro/mini-produtores possam ter uma fonte de rendimento adicional e os consumidores a opção de escolher o fornecedor mais barato.

 

Enquadramento legal

A Diretiva de Eficiência Energética (Dir 2012/27/EU) faz referência aos pequenos e médios produtos e, em Portugal, a microprodução e a miniprodução tem enquadramento legal na produção em regime especial (Decreto-Lei n.º 153/2014). 

 

Referências

[1] Electricity "Prosumers", European Parliament, Think Tank, 11 Nov 2016 

[2] Microgrids have a big role to play in the energy sector: Here's why, cnbc.com, 7 Feb 2018

[3] Microgrids and energy-generating buildings could save our cities, www.wired.co.uk, 22 Jan 2018

[4] Overview of Microgrids in Europe, Niagara 2016 Symposium on Microgrids, Canada.

[5] Potential of the Blockchain Technology in Energy Trading, Appears as a book chapter in: Daniel Burgwinkel et al.: “Blockchain technology Introduction for business and IT managers”, de Gruyter, 2016

[6] Enerchain P2P Trading Project, enerchain.ponton.de, Hamburg, May 29, 2017

[7] Blockchain based electricity management pilot coming to Europe, bravenewcoin.com, 04 May 2017

[8] Diving into blockchain use cases: Wholesale energy trading, www.cleantech.com, June 20 2017

 

Consulte o regulamento deste Challenge em PDF nesta ligação.